Henrique V: o rei vitorioso e a responsabilidade fiscal nas peças históricas de Shakespeare por André Eduardo da Silva Fernandes e Luiz Ricardo Cavalcante (2020)
Henrique V foi o rei da Inglaterra entre 1413 e 1422. Sucedeu seu pai homônimo, que havia sido o primeiro monarca inglês da casa de Lancaster. Nas peças históricas de William Shakespeare, retrata-se seu processo de formação até sua coroação nas partes 1 e 2 de Henrique IV e sua atuação competente e heroica (“o rei vitorioso”) em Henrique V. Foi sucedido por seu filho Henrique VI, rei entre 1422 e 1461 e entre 1470 e 1471 e cujo fracasso militar e político foi objeto das peças de Shakespeare às quais empresta seu nome. Contudo, já no início da parte 1 de Henrique VI, na cena do funeral do rei vitorioso, indica-se que grande parte de suas conquistas havia sido revertida por “falta de ouro e homens”. Argumenta-se, neste artigo, que a gestão de Henrique V, embora retratada como vitoriosa, pode ser interpretada como irresponsável do ponto de vista fiscal e geradora de um passivo que explica o fracasso das campanhas militares inglesas após sua morte. Essa linha de argumentação associa-se, no caso do Brasil, à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que estabelece normas para a responsabilidade na gestão fiscal e que, em particular, limita a possibilidade de transferência de passivos de um gestor para seu sucessor.
