Concentração de renda no Brasil: um olhar regionalizado com base nos dados do IRPF até 2023 (II) por Frederico Nascimento Dutra, Priscila Kaiser Monteiro, Sérgio Wulff Gobett publicado por Observatório de Política Fiscal FGV/IBRE (12/2025).
Esta nota técnica tem por objetivo complementar a análise sobre o recente aumento da concentração de renda verificado no período pós-pandemia no Brasil, em que o 1% mais rico ampliou sua participação de 20,4% para 24,3% do bolo entre 2017 e 2023, conforme revelado em outra nota técnica publicada neste Observatório. Da dimensão nacional, passamos desta feita a investigar as diferenças de nível e evolução do nível de concentração de renda entre as regiões e os estados do Brasil.
Para tal objetivo, realizou-se um trabalho inédito de estimação da parcela de renda apropriada pelo 1% mais rico em cada unidade da Federação, com base nos dados do IRPF, bem como da renda disponível das famílias de cada estado, estimada por meio de uma proxy construída com dados das Contas Nacionais do IBGE e da matriz de benefícios sociais e salários regionalizados da União, dos estados e dos municípios.
Com base nesse trabalho, verificamos que o nível e a evolução da concentração de renda variam significativamente no território nacional, tendendo a ser mais acentuados em estados mais ricos ou com maior presença do agronegócio. Em Mato Grosso, por exemplo, segundo nossas estimativas, a parcela de renda apropriada pelo 1% mais rico cresceu de 20,3% para 30,5% entre 2017 e 2023 — ou seja, um aumento de 10 pontos percentuais. Em São Paulo, a concentração de renda do 1% mais rico também cresceu acima da média nacional, passando de 22,9% para 27,1% no período — um acréscimo de 4,2 pontos percentuais.
